Viver em um ambiente de trabalho tóxico não é apenas um “desafio de carreira” — é um risco à saúde mental e física. Se você está enfrentando assédio moral, sexual, discriminação ou uma cultura de medo, saiba que você não está sozinho(a).
Para ajudar você a retomar o controle e enquanto preparamos a plataforma TCTW, mapeamos os principais canais, ferramentas e entidades que oferecem suporte gratuito ou acessível no Brasil e no mundo.
1. Canais Oficiais para Denúncia (Brasil)
Se o objetivo é formalizar o ocorrido para gerar punições legais ou fiscalização, estes são os órgãos de maior autoridade:
- Ministério Público do Trabalho (MPT): O canal mais robusto para denúncias coletivas ou casos graves de assédio moral e sexual. A denúncia pode ser feita online e de forma sigilosa.
- Acesse: mpt.mp.br
- Canal de Denúncias do Ministério do Trabalho e Emprego: Focado em irregularidades trabalhistas gerais e condições de trabalho.
- Acesse: denuncia.sit.trabalho.gov.br
- Disque 100 (Direitos Humanos): Para casos que envolvem violações graves de direitos humanos, incluindo discriminação racial, de gênero ou contra PCDs.
- Fala.BR: Plataforma integrada da Controladoria-Geral da União (CGU) para ouvir reclamações sobre órgãos públicos e serviços federais.
2. Apoio Jurídico Gratuito ou Acessível
Muitas vezes, a maior barreira é não saber os próprios direitos. Se você não pode pagar um advogado, estas opções podem ajudar:
- Núcleos de Prática Jurídica (NPJs): Quase todas as universidades com curso de Direito (como USP, Mackenzie, PUC, Uninove, etc.) oferecem atendimento jurídico gratuito para a comunidade, feito por estudantes sob supervisão de professores.
- Defensoria Pública da União (DPU) e dos Estados: Oferecem assistência jurídica gratuita para quem comprovar baixa renda.
- Conselhos Legais (Reddit): O subreddit r/ConselhosLegais é uma comunidade ativa onde advogados e estudantes dão orientações iniciais sobre como proceder legalmente em casos de assédio.
3. Redes de Apoio Específicas para Mulheres
Mulheres são as maiores vítimas de assédio sexual e moral. Existem redes dedicadas exclusivamente a esse acolhimento:
- Projeto Justiceiras: Oferece suporte jurídico, psicológico e assistencial para mulheres vítimas de violência, incluindo a laboral.
- Acesse: justiceiras.org.br
- Me Too Brasil: Focado no combate ao abuso e assédio sexual, oferece uma plataforma de acolhimento e escuta.
- Mapa do Acolhimento: Uma rede de psicólogas e advogadas voluntárias que atendem mulheres em situação de vulnerabilidade.
- Ligue 180: Canal direto para denúncias e orientações sobre violência contra a mulher.
4. Saúde Mental e Suporte Psicológico
O corpo costuma dar sinais antes da mente “quebrar”. Não ignore o esgotamento (Burnout).
- Vittude e Zenklub: Plataformas que, embora pagas, costumam ter blogs com conteúdos excelentes sobre saúde mental no trabalho e diretórios de profissionais especializados em estresse ocupacional.
- Centro de Valorização da Vida (CVV): Apoio emocional gratuito através do número 188, disponível 24 horas por dia.
- Instituto Ame Sua Mente: Oferece conteúdos educativos e letramento sobre saúde mental, ajudando a identificar quando o ambiente de trabalho cruzou a linha do aceitável.
5. Ferramentas e Fóruns de Comunidade
Às vezes, apenas falar com quem entende o que você passa já é um alento.
- TCTW (Toxic Companies To Work): Em breve você poderá utilizar nossa plataforma para relatar anonimamente sua experiência, ajudando outros a não caírem nas mesmas armadilhas e gerando dados sobre a toxicidade das empresas.
- Glassdoor: Embora focado em vagas, o campo de avaliações é um termômetro importante, mas lembre-se: seja estratégico ao comentar para não ser identificado.
- Workplace Bullying Institute (WBI): Para quem domina o inglês, este é o maior instituto global de pesquisa e suporte contra o bullying corporativo.
Dica de Ouro: Reúna Provas Antes de Sair
Antes de qualquer denúncia, comece o seu “Diário de Bordo”:
- Guarde e-mails e prints de conversas abusivas (evite usar o e-mail corporativo para guardar isso).
- Anote datas, horários e testemunhas de episódios de assédio.
- Grave áudios: No Brasil, gravar conversas das quais você faz parte (mesmo sem o outro saber) é geralmente aceito como prova judicial em casos de defesa de direitos.
Nota: Este guia tem caráter informativo. Para casos específicos, sempre consulte um advogado especializado em Direito do Trabalho.

